Ultrassonografia Ocular: Noções Gerais

A ultrassonografia (ecografia) ocular é um dos métodos mais importantes para avaliação do olho com opacidade de meios, como catarata densa, que inviabilizam a realização do fundo de olho.
É um método indolor, não invasivo, que pode ser realizado facilmente no consultório, sendo, inclusive, realizado em crianças, frequentemente sem sedação.
Provou ser indispensável na diferenciação e medida de tumores intraoculares, sendo o mais frequente o melanoma de coróide. Também é útil no diagnóstico diferencial dos edemas de papila e descolamento da retina e coróide.
O exame básico é realizado utilizando quatro tipos de técnicas de avaliação ecográfica: qualitativa, topográfica, quantitativa e cinética.
Iniciamos o exame básico com a ecografia qualitativa que consiste na simples análise visual do ecograma, sem a preocupação com dados ou parâmetros quantitativos. Esta primeira fase é de “screening”, em que o examinador constatará se a ecografia é normal ou não.
Uma vez verificada a existência de alterações, as outras técnicas são utilizadas para diferenciação de lesões através da análise de características acústicas específicas. No início sugere-se que seja realizada a ecografia topográfica, seguida pela quantitativa e cinética. Entretanto, adquirindo maior experiência, estas técnicas podem e devem ser combinadas para maior eficiência na análise das alterações.
A avaliação topográfica da alteração é feita através da observação de sua forma, localização e extensão.
Critérios topográficos como nervo óptico, pólo posterior, periferia, dentro e fora do cone muscular são dados importantes na caracterização da lesão.
Com estas abordagens vamos desenvolver um conceito tridimensional da alteração e documentar adequadamente sua topografia.
Uma vez realizada a ecografia topográfica, vamos realizar a ecografia quantitativa quando se caracterizam a refletividade, estrutura interna e atenuação acústica da alteração em estudo.
A ecografia cinética é usada para avaliar os movimentos e a vascularização de uma lesão.
É importante enfatizar, entretanto, que se trata de um exame diagnóstico complementar, sendo sempre fundamentais a história e o exame clínico do paciente, para se fazer uma correta interpretação dos achados ecográficos.



Dra. Ana Luiza Biancardi

CRM 5273962-6
Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia - CBO
Mestre e Doutoranda em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ
Professora Assistente do Departamento de Oftalmologia da UFRJ
Diretora da Oftalmoclínica Pinho - Rio de Janeiro
Colaboradora do livro "Ultrassonografia Ocular: Atlas e Texto - 4a ed. Rio de Janeiro –Cultura Médica, Guanabara Koogan,2015 - Dr. Gustavo Abreu"